quarta-feira, março 01, 2006

“Figueirenses devem mobilizar-se a favor do Cabo Mondego”

O deputado Miguel Almeida defende uma mobilização popular em torno do Cabo Mondego. Entretanto, leva a efeito iniciativas parlamentares na defesa do geomonumento.

Miguel Almeida apresentou na Assembleia da República (AR) um projecto de resolução em defesa do Cabo Mondego. Em síntese, e de acordo com o documento que fez chegar às redacções, o deputado figueirense, eleito pelo PSD, no círculo de Coimbra, advoga a rápida classificação do geomonumento. O processo encontra–se há cerca de três anos e meio no Instituto da Conservação da Natureza (ICN), que teve a iniciativa de o desencadear.

O que está a acontecer no Cabo Mondego “é um crime ambiental”, afirma o parlamentar. Por isso, aduz, “é minha obrigação apresentar no Parlamento iniciativas que visem a sua preservação”. E para “que o Governo se aperceba da importância e urgência da sua classificação”, explica. Lembra, por outro lado, que a luta já se arrasta desde os tempos em que era vereador da Câmara da Figueira, entre 1997 e 2001.

Para Miguel Almeida, “há negligência por parte do INC”, no moroso processo de classificação. E adianta: “Se o projecto de resolução não for aprovado, vou fazer um requerimento ao ministro do Ambiente, para que este apresente explicações sobre o assunto e peça responsabilidades ao ICN”.

Explicar para sensibilizar

Helena Henriques, professora da Universidade de Coimbra, é quem mais tem feito pela defesa do Cabo Mondego, diz Miguel Almeida. Sem, no entanto, subestimar “o trabalho inexcedível” do presidente do edil da Figueira, Duarte Silva. Todavia, defende uma maior informação aos figueirenses, “porque muitos deles ainda não se aperceberam da importância deste geomonumento único no mundo”.

“Acho que os figueirenses devem mobilizar–se a favor do seu património, até porque o Cabo Mondego não pode continuar a ser destruído”, advoga o deputado do PSD. Por outro lado, não poupa nas críticas à Cimpor, que explora cal hidráulica no local. “Não deve estar muito preocupada com os postos de trabalho e com a própria fábrica, caso contrário não pedia em troca a aprovação de uma urbanização. De qualquer forma, [a cimenteira] faz o que lhe permitem fazer”, conclui.

in Diário As Beiras