segunda-feira, fevereiro 27, 2006

DESPORTO: Salvé Naval... por onde tens andado?

Tal como outrora os Reis Magos se dirigiram a Belém à procura da sua estrela, desta feita foram os navalistas que vieram à procura da vitória. E, no mínimo, o que se pode dizer é que foi justa. Os instantes finais foram de arrasar mas quem lutou tão abnegadamente merecia sem dúvida a ventura de sair vencedor.

Após uma semana plena de atribulações, cujo expoente foi a mudança de comando técnico na equipa, a partida frente ao histórico Belenenses era encarada com alguma expectativa. Primeiro, questionava-se como reagiria a equipa navalista a toda esta situação. Depois, o aproximar do final do campeonato, obriga a que os figueirenses procurem os 40 pontos na tabela classificativa, numero que em princípio poderá significar a manutenção.

Por outro lado, o Belenenses, mesmo posicionado no 9.º lugar, não pode descansar sobre os 28 pontos alcançados, já que, no deve e haver das diferenças, a formação azul apenas tem vantagem no confronto directo sobre o Paços de Ferreira. Face a tais condimentos, a vitória era o único resultado que servia ao interesse dos dois conjuntos.

Fernando Mira não efectuou alterações profundas na equipa. O regresso de Taborda à baliza foi uma das mudanças. Na linha média, e face à ausência do castigado Gilmar, o técnico lançou uma linha de quatro médios de tendência ofensiva, deixando nas suas costas apenas um “trinco”: Solimar.

Dois golos nos primeiros 45 minutos foram o símbolo de qualidade do melhor futebol praticado no Restelo. Salvé Naval, por onde tens andado? Esta era a questão que se colocava no recinto lisboeta. De facto, os navalistas foram sem qualquer dúvida a melhor equipa no terreno de jogo apostando num futebol muito apoiado e com excelente transição defesa-ataque. A evolução ofensiva, através dos corredores laterais e com sistemáticas mudanças de flanco, confundiram completamente os lisboetas.

A primeira ocasião de perigo – aos oito minutos – pertenceu ao Belenenses. Meyong quis surpreender Taborda, mas este respondeu com grande defesa. A partir daí, a partida entrou em sentido único e foi o Belenenses que se viu em grandes dificuldades para travar o fluxo ofensivo da turma navalista.

Tanto domínio tinha de dar frutos. Primeiro, uma mudança de flanco de Lito permitiu uma execução perfeita a Tiago que não enjeitou a inauguração do marcador. Aos 36 minutos, e após uma jogada ao primeiro toque, a defensiva azul foi apanhada em contra-pé. Estes ainda pediram o fora-de-jogo mas Fajardo atento fez o passe de morte e Saulo, à boca da baliza, encostou para o segundo golo.

Já com cheiro a intervalo, o terceiro golo só não aconteceu porque o guardião da casa negou esse objectivo a Fogaça.

Marcar e sofrer

Com dois golos de vantagem, a formação navalista apresentou-se mais cautelosa. Afinal, era ao Belenenses que competia assumir as despesas do jogo. A turma figueirense fez da concentração e do colectivo a sua principal arma. Diga-se, entretanto, que para que tal acontecesse não foi necessário colocar nenhum autocarro diante da baliza de Taborda. Obviamente, a iniciativa de jogo passou para os donos da casa, contudo diga-se, foi um domínio mais consentido do que conseguido.

Só que esta estratégia oferecia perigo e, de facto, o perigo saiu de um lance de infortúnio de Nelson Veiga que apontou um auto-golo. Pensou-se o pior. Mas, quatro minutos volvidos, a verdade do jogo foi reposta com uma grande jogada entre Fajardo e Lito onde o internacional cabo-verdiano marcou e sentenciou a partida.

Com muita gente já fora do estádio, Cosme Machado quis dar um interesse extra à partida e, numa jogada confusa no interior da área navalista, a bola foi à mão de Fernando. O “Collina” de Braga assim não entendeu e apontou a marca de grande-penalidade. Meyong cobrou e marcou.

O minuto que faltava, mais os seis que o juíz concedeu, foram impróprios para cardíacos. No entanto estava escrito esta vitória ninguém a tiraria aos figueirenses.

in Diário As Beiras